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sábado, 12 de janeiro de 2013

Às vezes ela tem vontade de pegar cada pessoa na rua, olhar no fundo dos olhos e dizer "Eu sei que você sente medo. Eu sei que você não é feliz. Eu sei que você quer ser livre. Venha comigo"
Às vezes ela gostaria que alguém fizesse isso com ela também.

Só uma garota

Era uma garota estranha cheia de medos e anseios da vida. Precisava, volta e meia, vomitar. Vomitava palavras, gritos, canções.
Descobriu que sua dor era a dor de quem não tá no seu mundo. Dor de quem estranha as pessoas ao redor, de quem não entende porque o dinheiro é tão importante, porque a televisão é mais importante que as leis, porque as pessoas fazem de tudo pelo poder. Dor de quem não entende em qual ponto da existência as pessoas deixaram de se preocupar com a essência pra se preocupar com a aparência, deixaram de 'ser' para 'ter'.
Dor de quem tá num país entranho, fala, fala, fala e ninguém entende. Sai gritando socorro pelas ruas, mas ninguém pode ouví-la.
É isso, ela se perdeu num país estranho onde ninguém fala sua língua e não sabe mais onde fica sua casa.
Ela corre, vomita, cansa, briga, xinga. Mas respira, sorri, entende.
O tempo passou e a garota cheia de medos e anseios e dúvidas e incertezas e mais medos ainda continua igual. Frágil, pequena. Mas ela entendeu que existem sim pessoas que a entendem. Existem pessoas perdidas nesse mesmo país, correndo e gritando, pedindo ajuda. Ela descobriu que pode encontrar essas pessoas. Seria um encontro de duas pessoas desesperadas por alguém que as entendessem. E não são só duas, são milhares. Essa garota entendeu que a sua casa é sua própria mente e não importa onde esteja, estará em casa. Estará consigo. Com seus pensamentos. E estará bem.
O mundo aí fora vai continuar um pouco cinza. Algumas pessoas vão continuar falando outras línguas. O dinheiro por muito tempo ainda vai ser a coisa que mais importa pra muitas pessoas, assim como o poder vai corromper e a televisão vai manipular. Mas ela sabe agora onde é a sua casa. E ela sabe, que pode criar seu próprio mundo dentro dessa casa. Do seu jeito. Sem dinheiro, sem televisão, sem ternos, sem caos. Seu próprio mundo, na sua mente, do jeito que bem entender...E ser feliz.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Guerra interior

Hoje a sociedade nos assola tanto, que, ou tu age da forma que ela diz ser a "correta" ou arma uma guerra dentro de ti mesmo. Aliás, tu arma uma guerra dentro de ti mesmo, de qualquer forma. Agindo da primeira maneira, ou seja, aceitando ser da forma que a sociedade manda, tu estará fugindo de ti mesmo e é impossível viver em paz com essa verdade. Da segunda maneira, tentando de desvencilhar do que a sociedade impõe, tu vai sofrer.. É, vai sofrer muito. Tu vai bater a cabeça, queimar teu cérebro todo dia pra tentar entender a merda que tu vive. Tu não vai mais saber o que é real ou não. Tu vai olhar pra todos os cantos e só enxergar pessoas iguais, com vidas iguais, vai dizer que não é isso que tu quer pra ti, no final, vai ter que te adaptar, porque a sociedade pode até deixar com que tu pense diferente dela, mas vai te cobrar muito mais. Tu vai ter que sofrer cada vez que ver uma garota tentando ser que nem na TV, tu vai sofrer por ela, vai rezar pra que ela se salve, porque afinal, a vida dela nunca vai fazer sentido. Tu vai te rasgar por dentro toda vez que encontrar milhões de pessoas crédulas que o que a TV mostra e diz é a única verdade absoluta da vida, mas tu vai ter que seguir firme, engolir a raiva, depois de estralar todos os dedos e ter vontade de dar com a cara de cada um na parede, gritando pra que acordem e que vivem de verdade, não apenas existam, não apenas sejam instrumentos de manipulação. Mas tu não vai poder fazer nada. E se ousar fazer, vão te chamar de louco. É, porque quem resolve viver a vida, é chamado assim. E eu nem posso discordar, porque veja bem, olha tudo o que uma pessoa que resolve realmente viver tem que passar... É loucura. A loucura mais sã e correta que já existiu, mas ainda assim, loucura. 
E sabe como estarão aqueles que resolveram aceitar o que a sociedade opões? Vão estar por aí, de terno, procurando um parceiro para casar e ter filhos, isso depois de estarem ganhando bem, por pra eles, isso se chama "se tornar uma pessoa bem sucedida". Ter uma casa, marido/esposa, dinheiro. E eles passaram uns 50 anos da vida deles pra ter tudo isso, porque desde que nasceram, falaram que isso era sinônimo de felicidade. Mas depois de 50 anos de pura ilusão, depois de conquistarem a sua casa, seu cônjuge , seu dinheiro, eles descobrem que ainda estão vazios. Mas agora, é tarde demais pra viver. Agora eles já estão cansados e ninguém mais dá muito ouvido pro que eles dizem. E é aí que eles se apavoram, vêem seus filhos cometendo os mesmo erros, e vêem seus netos indo pelo mesmo caminho também. Eles tentam avisar, volta e meia dizem uma frase ou outra e torcem pra que tenham prestado bem atenção. Mas eis que os filhos desses caras vão crescer e depois de perder o pai, vão dizer "meu pai tinha razão. a vida é bem mais que isso aqui. e eu nunca ouvi o velho". E isso vai se repetindo, em cada geração. Volta e meia vai aparecer um adolescente rebelde que vai ver que tá tudo errado, mas os pais vão calar ele, a sociedade vai calar, ele vai seguir pensando da forma dele, mas não vai poder fazer nada. Vai ter que trabalhar porque sem isso não sobrevive. Vai ter que usar o mesmo terno que o avô usava, se isso for preciso. Vai passar a sua vida trabalhando pra sustentar os filhos, porque diferente do que ele pensou na adolescência, não tem como fugir do sistema não. É muito bonito mandar tudo se fuder e dar tapa na cara do patrão, mas vai dizer isso pra um cara que tem 4 filhos e não tem outra escolha a não ser dizer "sim, senhor" e seguir trabalhando, quantas horas o patrão quiser. 
E é isso... A vida vai seguir assim. A guerra interna é constante, e sinceramente, não nos enxergo saindo disso aqui. 
Muitas vezes me reviro do avesso imaginando outra coisa, criando outra realidade pra mim. Me contro lá no fundo e quer saber? Não tem sensação melhor do que descobrir quem tu é. É importante. É essencial. Tu pode escolher entre enxergar a vida como ela é desde os 15 anos e sofrer tudo no peito, com o mundo te julgando louco; ou tu pode começar a enxergar ela quando tiver aposentado e com tempo pra isso, depois dos 50, 60 anos... Mas aí, Teu corpo já tá cansado demais pra se sentir vivo, e tu perdeu a vida sem saber como é viver.


É difícil. Me dói também. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Estive pensando...

 Passei grande parte da minha curta vida tentando descobrir a verdade absoluta sobre as coisas, quebrando a cabeça sobre a existência ou não de um Deus e como ele governa as coisas, como ele enxerga e como ele puni; quebrando a cabeça pra decifrar a realidade que nos assola, porque é cada vez mais difícil pra minha mente entender o que é real e o que não é; e, depois de ver que jamais chegaria a uma conclusão, vi que havia chegado. Alias, percebi que havia chego a um entendimento. Certo ou errado, definitivo ou não, tem sido de grande importância esse entendimento.
 Percebi, após ler pensamentos do filósofo Arthur Schopenhauer, que a realidade não é nada mais do que o reflexo do que vemos e como vemos. Considerando isso, a realidade se torna ilusória e a verdade absoluta, inexistente. Veja, um ser pode tomar uma verdade para si, tornando-se realizado com esta verdade, o que na minha opinião, é o que basta. Um outro ser, pode tomar outra verdade para si, obtendo o mesmo estado de realização. Estariam os dois equivocados? Não.
 Cada ser toma pra si sua própria verdade, e que difere sim, de ser para ser, conforme o que viveu, a forma com que ele pensa, o ponto que lhe é mais sensível. Enxergamos as coisas de formas diferentes, mesmo diante de uma mesma situação.
 A partir disso, a partir do ponto de que não há uma verdade absoluta e que enxergamos as coisas da forma que queremos e conseguimos, me vêm na mente uma antiga frase que até o momento não tinha feito total sentido: "A realidade é subjetiva e maleável, se sonhar um mundo melhor, pode fazer um mundo melhor."

 Tenho pra mim, hoje, esse entendimento de realidade. Procurar enxergar sempre da forma mais clara e crítica, mas também, mais colorida e vibrante, porque é essa vida que quero pra mim. E isso não é fechar os olhos pros problemas do mundo, fingir que a maldade é inexistente, não.. De forma alguma. Isso sim é claro e existente aos olhos de qualquer ser. Enxergar a realidade da forma que eu escolhi, me faz pensar e refletir milhares de vezes sobre aquilo que me dizem "é assim" ou "isso é a vida". Será mesmo que tudo que sabemos hoje, tudo o que ouvimos é o correto? Se quisermos não precisa ser. Tudo está no nosso modo de ver e sentir a vida. E cada um de nós, dentro de si mesmo, tem uma percepção diferente. Colocamos-a em prática!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

É...

Tá tudo com cara de despedida que fico até com medo de que possa mesmo ser...
Acho que até ontem parecia tudo uma brincadeira. Um medo de tu realmente ir, mas havia uma esperança ainda.
Me diz, pra onde eu vou em cada final de semana? Com quem eu vou dormir quando a angústia apertar meu peito? Quem vai morrer de rir comigo pelas esquinas ou no galpão? Quem vai levar uma surra do vento ao meu lado, tentando acender o beck na beira do mar? Com quem eu vou dividir minhas expectativas, minhas paixões, meus medos? Com quem eu vou dividir minha vida?
Quem sou eu sem ti, afinal?

Vai passar tudo rápido, tu vai ver. E vai ser divertido. Tu vai conhecer um lugar novo, novos horizontes, uma nova extensão do mar muito mais azul, pessoas diferentes, idioma e sutaques estranhos, novas esquinas pra virar... Pode ser que isso mude muita coisa dentro de ti. "Longe de casa, perto de nós mesmos". Lembra disso. Se volta pra ti mesmo, te descobre, olha a vida com um outro olhar onde o individualismo não quer dizer "não pensar no outro", mas sim, "pensar em ti primeiro". Sente e descobre tudo o que tu realmente é, porque tu é muita coisa não descoberta ainda. Senta na frente do mar um dia e imagina que eu esteja ali do teu lado, dando risada, e pode ter certeza, que eu vou estar mesmo. A cada passa que tu der. Quando desembarcar na África, faz um vídeo me mostrando o aeroporto, tá? Se tiver Africanos por lá, não esquece de gravar.
Esquece aqui. Eu, a mana, o Gui e a vó estaremos bem se tu estiver bem também. Então, aproveita por nós. Sorri bastante, se diverte. Se tiver vontade de chorar, chora. Mas aí olha pro céu, pro mar, e vê que tu tá num lugar lindo, tua família tá te esperando e sentindo tua falta e logo tu vai estar com ela. Aí tu sorri. Não tem motivo pra ficar triste. Eu sei que tu consegue.
Fica bem com o Léo, e - por mais que meu egoísmo gigante não gosta que eu fale isso - resgata o que vocês sempre tiveram, que era tão lindo e pode voltar a ser. Eu que ele erra, é chato, ranzinza, mas a gente sabe o quanto ele te ama e o quanto agregou na tua vida.
Se tudo der errado e tu tiver a certeza de que "não dá mais", seja sincera com ele e acima de tudo, contigo mesma. Por favor. Não faz nada que tu não queira, e te falo isso do fundo do coração. Pode ser difícil na hora e tu pode até te arrepender por uns dias, por dizer a verdade; mas enganando a ti mesma, tu vai te arrepender pra vida toda.
Encara a viagem como uma descoberta de um novo mundo, como um ver que a vida é imensa, não é curta como falam por aí. E o mundo é maior ainda. Novos passos, novos ares. Vai ser uma experiência maravilhosa pra ti. E quando tu menos esperar, o visto vai te mandar embora. Graças a Deus, porque nessa hora, a gente já vai estar se batendo de saudade aqui. Mas aí tu chega.
Eu juro que te espero no aeroporto com uma rosa na mão, tá?

Fica bem, por favor. Eu vou ser forte aqui, mas preciso que tu seja também.
Aproveita como se estivéssemos juntas, viu? Como se estivéssemos em Las Vegas.

Eu te amo, e 3 meses não nada perto de tudo que a gente já viveu juntas.


"Seja sempre sincero
Com aquilo que sente
Eu ainda te espero... Bem aqui."
Ps: Não deixa o Léo te fazer ouvir aquelas músicas toscas lá, tá? Ouve nosso Reggae e teus rock melódi. É o que tu gosta. É o que tu vai ouvir. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A tela da vida

A vida pode ser como uma tela em branco...
 Se você não for um bom pintor, pode ser que misture as cores erradas, borre tudo e desperdice a única tela que tens. Mas se tiver sensibilidade, mesmo nunca tendo pintado outra tela na vida, pode tentar ousar. Jogue umas cores coloridas na tela, perca o medo de errar ou borrar. Aja como uma criança, busque a inocência e a ingenuidade. Faça ser divertido e desafiador e supere-se. Esqueça o preto e tons escuros. E se te disserem que não está bom: Não dê ouvidos. A tela é somente sua e ficará enfeitando teu quarto. Se te sentires bem com ela, nada mais importa.
No final, aquele que esquematizou tudo e disse que se sairia bem por ser um bom pintor, pintou uma tela igual a tantas outras. Um quadro com pessoas de terno, prédios, vidas iguais...
O cara com sensibilidade que chegou pintando, sem pensar no modelo exigido ou nas cores que ouviu dizer que estavam em alta, pintou a tela mais bela. Pintou a verdade, a paz, o bem, a vida...

Na hora de pintar a sua tela não se deixe levar pelo o que dizem que é certo ou errado, qual a tendências da moda. Não copie a tela do vizinho, nem se espelhe num pintor. Não planeje tanto. Deixa o vento fazer a tinta escorrer, ele é o maior sábio. Ouse nas cores. Se errar, concerte. Não jogue a tela fora, nem desista.

Pinte com o coração!

A mudança vem de dentro.

A gente precisa de tão pouco pra nos sentirmos realizados com nós mesmos...
Demorei um pouco pra ver isso.. Mas quando tu passa da fase de revolta com todas as injustiças, tu enxerga um paraíso tão belo... Por mais podre que seja a vida, ficar só enxergando essas coisas ruins não muda nada. O que muda é a própria mudança interior. Quando todos nos transformarmos por dentro e soubermos ver a beleza entra tanta maldade, aí sim, e só aí, toda essa maldade não vai mais existir.

"Seja a mudança que quer ver no mundo."

Boto fé.